ANA MARIA COSTA
Repousas em mim esse corpo que resplandece vida.
O afago da tua pele percorre cada linha do tecido de que sou feito.
Despes-te para mim e admiro a tua alma nua no corpo sem roupa.
Sinto ciúmes desse outro que te envolve num abraço e viaja pelas tuas curvas ao ritmo do desejo que o invade.
Puxas-me para ti e entro no jogo que fazes com ele.
De tão leve que sou, deixo-me embalar por ti, por ele.
A respiração acelera e os vossos corpos deslizam em mim. Arrepio-me com eles. Aqueço com as gotículas de suor que soltam, enquanto rebolam e se rendem um ao outro num murmúrio de prazer.
Agora, é ele que me puxa. Num afago, entrego-me e envolvo-vos. Estão cansados ou revigorados? Sorriem e eu sorrio também e estendo os meus braços para vos cobrir melhor.
Faz-se tarde, ele tem de ir. Eu fico contigo. Sempre fiquei. E ele? Irá voltar?
Outra vez te acompanho, enquanto revês o momento de olhar perdido na noite. Não sei se o brilho nos teus olhos é de alegria ou se desponta uma emoção menos boa… Acolho todo o teu ser. Sei que precisas de mim. Sinto o toque do teu corpo e o respirar da tua alma. Escuto as dúvidas do teu silêncio.
Uma dúvida inquieta-me.
Até quando será assim? Até quando este vai e vem, sem saber se fica, sem saber se volta?
Estou aqui e é deste enlace que vivo, porque sempre fui e serei teu, ainda que seja [apenas] um lençol.
DESAFIO DE ESCRITA: escolher um objeto e imaginar em prosa ou poesia as suas sensações e emoções perante uma determinada situação.
Ana Costa