ANA MARIA COSTA

O mestre espera-te

Kaleb tinha conseguido entrar no mosteiro. O mestre, finalmente, aceitara recebê-lo.

Assim que atravessou o grande portão, ficou deslumbrado com a exuberância da vegetação. Parecia que os seus pés se tinham pregado ao chão e a sua boca abria-se de espanto.

— Anda, Kaleb! O mestre espera-te! — disse o monge que o recebeu.

Como não se movia, teve de o puxar pelo braço para seguirem caminho. Kaleb avançava, mas não desviava os olhos de todo aquele verde que o envolvia. Ao passarem por um lago, Kaleb correu para observar as águas, depois distraiu-se a contemplar as flores de lótus que se abriam para os primeiros raios de sol.

— Anda, Kaleb! O mestre espera-te! — disse, mais uma vez, o monge.

Kaleb, fascinado pelas belas carpas Koi, estava hipnotizado pelas águas e, de novo, o monge teve de o puxar pelo braço. Cruzaram-se com uma enorme estátua de Buda e Kaleb não pode deixar de se encantar com a serenidade que dela emanava e pensou “É como Buda que quero ser! Aqui, tenho a certeza de que vou conseguir!”

— Anda, Kaleb! O mestre espera-te! — disse, com toda a calma, o monge.

Kaleb imaginava-se Buda e deixou-se ficar absorto, ignorando a voz que o chamava. Então, outra vez o monge o puxou pelo braço. Chegados ao mosteiro, os olhos de Kaleb abriram-se estarrecidos com a sua beleza. “Sinto-me tão pequeno, diante desta magnificência!” observou para si mesmo. E vagueou pelos detalhes da construção, cada um mais impressionante que o outro.

— Anda, Kaleb! O mestre espera-te!

Uma vez que não se movia, o monge, na sua tranquilidade, puxou-o de novo pelo braço. O interior do mosteiro era ainda mais fascinante que o exterior e Kaleb estava completamente absorvido pelo magnetismo da simplicidade de cada detalhe. Avançava, porque o monge não lhe largava o braço.

— Kaleb! O mestre está aqui! — observou o monge. Mas os olhos de Kaleb continuavam perdidos e os seus pensamentos divagavam.

— Kaleb! O mestre está aqui! — repetiu o monge.

Como se despertasse de um sonho, Kaleb olhou surpreso para o mestre que, sentado numa esteira, meditava tranquilo.

— Diz-me, Kaleb, o que procuras? — perguntou, sem abrir os olhos.

— Procuro dedicar-me às coisas do espírito, longe de toda a distração mundana.

— E achas que estás preparado para isso?

— Sim, mestre, este é o meu maior sonho, sempre desejei viver neste mosteiro para o conseguir.

— E como achas que poderás fazê-lo se, assim que atravessaste o portão, te distraíste com tudo o que te rodeia? A vida aqui não é muito diferente da vida lá fora, se não consegues concentrar-te no caminho que separa o portão até esta sala, como pensas dedicar-te às coisas do espírito?

Ana Costa

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