ANA MARIA COSTA
— Curaste-me! — disse Salvador, oferecendo-lhe uma suave carícia no rosto.
Sempre fora um mulherengo, é verdade. A repressão vivida durante a juventude levara-o a procurar de forma incansável o prazer nos braços de sucessivas mulheres. O seu caso mais longo fora marcado por ruturas e recomeços, ciúmes e obsessões que o levaram àquilo a que os médicos chamaram depressão. Com dívidas acumuladas, o corpo pesado e a mente perdida, vivia em piloto automático.
Certo dia, cruzou-se com um livro que mudaria para sempre a sua vida. Um livro que falava da lei da atração e do poder do pensamento. Sem ainda perceber bem o alcance das palavras lidas, deu início à mudança. Atraiu as circunstâncias de que precisava. Começou a tratar o corpo e a mente. Libertou-se, alfim, daquele relacionamento que o estava a sufocar, mas ao qual ainda não conseguira pôr um fim definitivo. Abriu, deste modo, espaço para si mesmo e pôde conhecer-se, compreender-se, aceitar-se e empenhar-se em criar uma melhor versão de si próprio.
Já não era a mesma pessoa. Os seus gostos e interesses eram outros. Deixou de olhar para as mulheres com olhos ávidos de prazer. O sexo nu e cru desinteressou-o. Cruzou-se com outras mulheres, mas nunca mais se envolveu. No fundo, desejava conhecer alguém com quem pudesse partilhar os seus pensamentos, as suas ideias, a sua nova forma de ver o mundo, mas sem criar qualquer tipo de dependência ou por mera atração sexual.
Assim pensou, assim aconteceu. Quando viu Sofia entrar naquele dia, mal poderia prever que com ela aprenderia o verdadeiro significado do Amor.
Agora, olhando-a deitada a seu lado depois da entrega e elevação de corpo e alma, saboreia a felicidade suprema.
DESAFIO DE ESCRITA: num texto com menos de trezentas palavras contar a transformação de uma personagem, cujo nome é Salvador.
Ana Costa