ANA MARIA COSTA
O seu casamento já conhecera melhores dias. Talvez por isso, Maria inscreveu-se num programa de desenvolvimento pessoal. A tarefa da primeira sessão consistia em descobrir sete aspetos que precisava de melhorar em si mesma.
Pediu ajuda a Artur que ficou surpreso, pois, quando se sentou para escrever, constatou que havia muita coisa que gostaria de mudar nela, mas que era bem provável ela ter muitas mais que gostasse de mudar nele próprio...
Deitou-se sem conseguir adormecer. O que acontecera entre eles para, agora, verem apenas defeitos um no outro? A convivência ao longo dos anos parecia ter quebrado a magia inicial que os aproximara. Seria isso normal? Não podia ser normal! O amor não se converte em ódio de um dia para o outro… O que falhara? Já não existem aspetos positivos a salientar? Então, recordou a longa conversa que tiveram na primeira saída… A empatia fora de tal forma intensa que nem conseguiam despedir-se. Naquela noite, nem um nem outro dormira, ansiando pelo próximo encontro. Como tudo estava diferente… Deitados na mesma cama, tinham-se tornado dois estranhos… Continuava a amar Maria? No fundo do seu coração, essa chama ainda ardia, mas precisava que ela também o demonstrasse, pois, na verdade, já não sabia o que ela sentia por ele… Nesse momento, surgiu uma pergunta na sua mente:
- Que homem terei eu de ser para reacender a chama do amor no coração de Maria? Que tipo de homem despertaria o seu interesse?
Colocou o braço à volta dela, que a seu lado já dormia, e deixou-se adormecer a pensar na resposta.
- Fizeste o que te pedi? – perguntou Maria, enquanto tomavam o pequeno-almoço.
- Ainda não, mas vou aproveitar a pausa do almoço para terminar e envio-te por e-mail, ok?
- Combinado!
À hora do almoço, Maria recebeu um ramo de sete rosas vermelhas com o seguinte cartão:
“Não consigo pensar em sete coisas que queria que mudasses, amo-te tal como és.”
Ana Costa